28 de Maio de 2009

Exército de Clones (ou fora uniforme imperialista!)

Arquivado sob: Gestão — Rafael @ 08:22

Não… se você acredita em Star Wars fique sabendo que não estou me referindo ao exército de clones criados para combater o Império. Falo da transformação dos funcionários de uma organização em soldadinhos clônicos, colocando em todos o mesmo uniforme.

As organizações deveriam estabelecer algumas regras básicas para sua sobrevivência no mundo globalizado. Posso citar o Ricardo Semler quando falo sobre o que é ser uma organização humana que de fato pensa no bem estar de seus funcionários.

Já sou tolhido em minha capacidade por uma série decisões infelizes daqueles que comandam e por sua incapacidade de compreender que a criatividade e fomento de soluções deve ser vivida de fato e não sonhada: transformar todos em soldadinhos de velório não é solução criativa.

Acredito que possa ser estabelecida alguma convenção que inclua a participação das pessoas no que diz respeito a algumas regras básicas de vestir. Contudo reuní-las para distribuir seu novo traje de velório, sem ao menos questionar-lhes a intenção é puro e simples autoritarismo. Da mesma forma não posso tomar como “democrática” uma reunião para decidir entre “usar e não usar o traje de velório”.

Justamente esse tem sido - há muito tempo - o problema das organizações: pecam por seu imperialismo em decisões completamente não estratégicas, perdendo tempo precioso para criar um ambiente de ilusão, no qual os funcionários - geradores da vida empresarial - deveriam ser peça fundamental e não peça de vestuário.

Assim, espero que as organizações e aqueles que as dirigem possam olhar para si e acordar do sonho do Estado Autoritário e partir para a vida do mundo real, globalizado e criativo, no qual as pessoas sejam valorizadas pelo que são, pelo que fazem.

Troco meu traje de velório por um curso de aprimoramento em área afim de minha atuação, quer dizer, contratação… ou quem sabe ainda uma mesa adequada, uma cadeira adequada (cujas rodinhas não saiam rodando sozinhas), condições de trabalho, limpeza periódica dos filtros do condicionador de ar… É… estamos longe do ideal e parece que o “mundo cor de rosa” dos redesenhos de processos não vai chegar aqui tão cedo!

27 de Maio de 2009

Programando de Cuecas!

Arquivado sob: Gestão — Rafael @ 13:15

Texto original publicado em meu antigo Blogger, em 09 de junho de 2007:

Estou sincera e profundamente indignado com as pessoas que exigem dos profissionais a tal (e proibida por lei) “boa aparência”. Minhas experiências mais legais são profundamente independentes da forma com que me visto, uso meu cabelo ou barba.

Em verdade, tenho um sistema que roda desde 1998, sem alterações, em um cliente. Seu uso é diário e constante. Fica boa parte do tempo aberto na máquina dos usuários e nunca precisou sofre grandes alterações que não novas funcionalidades.

Pois o “core” desse sistema foi analisado e desenvolvido no verão e por causa da alta temperatura do meu quarto e a inexistência de um condicionador de ar na sala tive que optar por uma alternativa de desenvolvimento pouco usual e não conhecido por muitos brasileiros: o “underware developing” (carinhosamente, desenvolvimento de cuecas)!

O “desenvolvimento de cuecas” consiste fundamentalmente em se livrar de todo tipo de vestuário pesado que pode dificultar a transpiração no verão e em ambientes quentes. No meu caso, esse sistema foi desenvolvido apenas por mim, no meu home-office, pude utilizar apenas uma camiseta sem mangas (T-shirt com as mangas cortadas a canivete) e cuecas do tipo samba-canção, que permitem a “mobilidade” e refrigeração do “amigo”.

Pois esse sistema está em uso até hoje, em uma escola técnica aqui da região, de forma a provar que a imagem do ser não é diretamente relacionada com sua competência e habilidades.

Por isso defendo vorazmente o livre vestir para que você possa estar à vontade quando as idéias aparecerem! :D Claro, vamos agir com cautela: não significa que eu apóio o fato de você querer ficar SEMPRE de cuecas no seu escritório, mas que você pode render mais sendo você mesmo a estar “enforcado” por um terninho com gravata que não permite a livre movimentação.

Por isso, LIVRE-SE DA FORCA! Vista sua cueca mais transada e vá programar feliz da vida! Sugira a seu chefe um “casual day” onde todos, no máximo possam usar uma “camisa de botão” com os botões abertos e amassada! No restante dos dias, bermudas, camisetas, moletons, jaquetões de alpinista… sei lá… invente seu estilo!!

2 de Maio de 2009

Testar ou não testar?

Arquivado sob: Informática, Engenharia e Desenvolvimento — Rafael @ 15:10

Desde que iniciei meus estudos na área da informática a engenharia de software sempre me pareceu um dos capítulos mais importantes. Infelizmente o que se vê na prática é que software, para alguns, é apenas um bom ganha pão.

Na segunda-feira passada participei de um dos processos de migração de sistema mais caóticos que já havia presenciado na “firma”. Não somente pela falta de informação que antecedeu a migração, mas também pela falta de senso com que a Diretoria conduziu tal processo.

O software migrado foi parte de um sistema de gestão de tecnologia proprietária, muito bem pago, mas precariamente testado. A migração foi feita a “toque de caixa”, por funcionários que pareciam não saber muito bem como a própria migração deveria ser feita e remotamente, a partir da base da empresa fornecedora, no Rio de Janeiro. Não que a visão de Copacabana seja um impecílio, mas…

Um dos sistemas foi testado com antecedência, mas testes em ambiente controlado não me servem. Nitidamente a empresa fornecedora não possui nem mesmo documentação adequada sobre a modelagem e configuração do sistema, tão pouco devem haver procedimentos básicos de testes de unidade ou integração, tão pouco testes de regressão.

Nitidamente, após a migração do sistema principal, iniciou-se o processo de “debugar” o software na melhor forma de desenvolvimento orientado à gambiarra: faça seu software, teste o básico com casos que você sabe que sempre funcionam e implante no cliente, pois ele encontrará seus erros mais graves e lhe reportará! Uma triste situação de desenvolvimento e uma vergonha para a engenharia de software!

Convém dizer que também não havia um plano de migração, tão pouco um plano de contingência caso algo errado pudesse acontecer. A dúvida da migração persiste 5 dias após realizada, ainda com os usuários encontrando erros, com clientes reclamando por funcionalidades que estão paradas e com o pessoal do desenvolvimento de sistemas procurando pelo backup do banco de dados, possivelmente para procurar dados originais - anteriores à migração - que foram provavelmente perdidos.

Mais uma vez perdemos a chance de fazer certo!

Tempero Verde | Software livre, management e outras pimentas para uma vida com mais sabor!